Jennifer fala sobre novos projetos, novo relacionamento e muito mais com a Vogue

Como havíamos postado anteriormente, Jennifer é capa da edição de Setembro da Vogue Americana, nos presenteado com 4 lindas capas diferentes. Na entrevista para a revista, Jennifer conversa sobre diversos assuntos interessantes, como seu relacionamento com o diretor Darren Aronofsky, seus novos projetos e como ela se manteve ao longo dos anos uma pessoa que podemos nos identificar. Confiram:

Pasme, um milagre: Jennifer Lawrence, sentada sem se mexer.

É uma noite quente em Los Angeles, e Lawrence e eu estamos sentados em frente à uma fogueira no quintal de uma casa em estilo Mediterrâneo em um lugar no topo das colinas, onde o ar cheira flores, dinheiro, e ao carbono insignificante queimado consideravelmente pelos carros elétricos. O caos de Hollywood parece estar milhões de milhas distante.

Esta não é a verdadeira casa de Lawrence. É uma alugada. A verdadeira casa de Lawrence “quebrou” enquanto ela estava fora- uma história louca envolvente cristais e…. bom, deixe Lawrence contar:

“Quando eu me mudei, a casa era cristalizada – cristais por toda parte, e geodos” ela explica. “E eu fiquei como, ‘Por favor, se livrem disso; Eu não quero que as pessoas venham aqui e pensem que eu sou uma pessoa fissurada em cristais.’ Não que tenha algo errado com isso!”

“Mas todos me disseram, ‘Você não pode fazer isso. Você não pode movê-los. Você terá que ter a mulher dos critais que os colocou, para retirá-los…'”

Você sabe aonde isso vai acabar. Lawrence não chamou a mulher dos cristais. “Eu apenas tive todos os cristais arrancados. Vendi eles. E ai minha casa inundou.”

“Eu odeio cristais,” Lawrence disse.

Não há cristais na casa alugada. Não há muita evidência de que Lawrence mora aqui, a não ser pela pintura em óleo de sua cachorra, Pippi, em cima da lareira. Eu trouxe bourbon: uma garrafa de Old Grand-Dad, e acenei para as raízes do Kentucky de Lawrence. É depois das 5 da tarde e nós estamos tendo um, por que… você não teria?

“Isso é delicioso,” Lawrence diz, colocando um cobertor por cima de seu suéter e suas pantalonas da marca Zummermann. E essa bebida custa apenas $19.99, eu digo para ela.

“Wow,” ela diz, inexpressiva. “Eu não deveria estar desperdiçando isso com você. Eu vou guardar para outra pessoa.” Alguns dias antes, Lawrence havia se encontrado com o aclamado pintor Americano John Currin para o trabalho que aparece à frente. “Muito inacreditável,” ela diz. “Ele tirou foto, e me fez posar como uma daquelas garotas francesas. Eu acho que Pippi deve até estar em algumas delas.”

Será que ela vai pode ficar com o quadro de Currin?

“Como eu abordo isso?” ela pergunta. “Quem mais iria querer isso?”

Lawrence ri. Ela quase nunca faz isso: senta, assistir o fogo, não fazer muita coisa. Aos 26 anos, Lawrence já é uma das atrizes mais bem sucedidas e aclamadas do planeta. Ela é uma atriz indicada ao Oscar 4 vezes e vencedora de um de Melhor Atriz (O Lado Bom da Vida), que simultaneamente construiu uma franquia histórica (Jogos Vorazes) enquanto co-estrelava outra (X-Men). Em Março do próximo ano, ela estará em Red Sparrow, um suspense de ação que ela gravou com seu amigo, e diretor de Jogos Vorazes, Francis Lawrence (sem nenhuma relação): No filme, Lawrence é uma bailarina recrutada para uma agência de espionagem russa (novidade!) que se apaixona por um agente da CIA, interpretado por Joel Edgerton. Mas antes disso, em Setembro, há o envolto em sigilo Mother!, uma grande façanha de Darren Aronofsky, o cineasta e namorado de Lawrence pelo último ano.

É uma grande corrida, inovador em sua criatividade e talvez financeiramente, mas Lawrence chegou lá trabalhando quase sem parar durante seus anos de adolescência e seus 20 anos. “Ela é um pouco como um tubarão neste sentido- ela necessita estar se movimentando para se manter viva,” diz Francis Lawrence. “Há uma parte de mim que não consegue imaginar Jen não trabalhando, ou não trabalhando por muito tempo.” A própria Lawrence disse que isto é seu metabolismo, que ela não consegue suportar a ideia de “acordar sem ter o que fazer, ou ir dormir sem ter realizado algo.” Ultimamente, contudo, ela está aceitando a ideia de que um pouco de descanso faz bem.

Você disse em uma entrevista anteriormente que você não gosta de um tempo livre.

“Sim, isso foi ridículo,” ela disse. “Eu era louca. Isso é bom.”

Até o momento, você provavelmente já leu mil coisas sobre como Jennifer Lawrence é como resto de nós, como ela é exatamente o caso de uma atriz de Hollywood que foge dos padrões, que você gostaria de relaxar na frente de uma fogueira e dividir um bourbon de preço razoável. Isso é verdade. No meio de uma conversa entusiasmada que varia do erro do Oscar com Moonlight/La La Land (“Todos lidaram graciosamente, mas merda”) à se vale ou não a pena provar ayahuasca [um tipo de chá] (Ela nunca provou: “Eu ainda não tive o ‘chamado'”) à famosa adoração de Lawrence com reality TV (“Você pode olhar para a vida de alguém e dizer, ‘Bom, obviamente, você não deveria casar com este cara,’ e isso te faz sentir como Deus por 30 minutos”),é fácil de esquecer que você está na companhia de alguém chamada de realeza da indústria cinematográfica – uma descrição que com certeza irá levar Lawrence a colocar um dedo na boca e fazer o sinal de vômito.

“Eu não acho que ela tem a capacidade se ser qualquer pessoa do que ela mesma,” diz a melhor amiga de Lawrence, Justine Ciarroccchi, uma de suas colegas de quarto nos tempos em que dividiam um apartamento/comiam miojo. “Você não pode errar em ser você mesmo, por mais brega que isso soe.”

A normalidade de Lawrence é uma de suas assinaturas, tanto que a cantora Ariana Grande parodiou no quadro “Celebrity Family Feud” do Saturday Night Live com uma impressão (“Eles me disseram para não fazer um game show, mas eu estava como, ‘Que se dane, eu posso me divertir, eu sou uma pessoa normal'”). Lawrence elogiou a performance de Grande como “precisa para caralho”– mesmo que ela tenha problema com a noção de que ela alguma vez se descreveu como uma “pessoa normal.”

“Isso é o que outras pessoas disseram,” ela diz. “Se eu disesse, ‘Eu sou uma pessoa normal,’ eu iria querer me matar.” Franca é ainda uma palavra justa para descrever Lawrence, e é encantador de se experienciar. Acredite: Há atores que ficam paralizados em ter que pedir almoço na frente de um entrevistador por medo de de dizer a coisa errada. Tal ansiedade não se instala em Lawrence. Isso não quer dizer que ela não se preocupa sobre entenderem o oposto do que ela diz ou má interpretação ou o tipo de coisas que ela talvez disesse se ela tivesse outro copo de Old Grand-Dan, mas ela pode ser deliciosamente, admiravelmente verdadeira. “Ela não tem filtro e irá dizer qualquer coisa em voz alta que vem na cabeça dela,” diz Michelle Pfeiffer, uma das co-stars de Lawrence em Mother!, que a chama de “terrivelmente esperta”.

“Eu gosto do quão transparente Jen é,” diz a amiga de Lawrence, Emma Stone, que, acaba que estava na casa na noite anterior. “Ela deixa suas opiniões muito, muito claras para mim, o tempo todo – eu perguntando ou não.” Stone ri. “Eu aprecio essa qualidade. Ela é apenas engraçada, uma pessoa iluminada.”

É dizer muito sobre a cultura de Hollywood (ou todas as culturas hoje em dia) que o que alguém faz para ser considerado “real” ser um hábito de honestidade. Mas se perguntada, Lawrence irá dar uma respeitável resposta direta sobre seu filme de ficção-científica de 2016, Passageiros, o qual foi um sucesso de bilheteria apesar de ter sido massacrado pelas críticas- ela está orgulhosa dele, mas concorda com aqueles que sugerem que o filme poderia ter sido beneficiado de uma re-edição e ter começado com a personagem dela acordando. “Eu estou desapontada comigo mesma que eu não captei isso,” ela disse. “Eu pensei que o roteiro era lindo – foi esta prejudicada, complicada história de amor. Não foi, definitivamente, um fracasso. Eu não estou envergonhada por isso de qualquer maneira. Houve apenas coisas que eu gostaria que eu tivesse olhado com mais profundidade antes de ter me jogado nele.”

E aí temos a reação sucinta de Lawrence a sua batalha solo como celebridade (se vc pode chamar isso de batalha) no ano passado, quando ela foi gravada – alguém chame a Interpol- dançando no pole dance em uma festa de aniversário em Vienna, Austria. Eu gostaria de poder expressar a revirada de olhos que Lawrence faz quando falou sobre isso semanas depois. Eu não a culpo.

“Meu maior medo de toda essa coisa foi das pessoas pensarem que eu estava tentando ser sexy,” ela diz. “Também, parecia que eu tinha tirado a minha blusa. Eu estava usando um crop top. Eu não tirei a minha blusa. Eu estava no telefone com os meus advogados, e todos estavam, ‘Há alguma coisa que a gente precise saber antes de isso ser publicado?’ E eu estava, ‘Não, está tudo lá.'”

Lawrence escreveu um hilário post no facebook sobre a “controvérsia”- “Eu não vou me desculpar, eu tive um ÓTIMO tempo naquela noite”- mas o episódio ainda tava forte. Ela já teve que suportar o horror de ter suas fotos íntimas hackeadas e vazadas, um grave crime que ela falou fortemente contra, mas que a deixou apreensiva.

“É assustador quando você sente que o mundo todo está te julgando,” ela diz. “Eu acho que as pessoas viram [o hackeamento] pelo o que isto foi, no caso, um crime sexual, mas aquele sentimento, eu não consegui me livrar dele. Ter sua privacidade violada constantemente não é um problema se você é perfeito. Mas se você é humano, é aterrorizante. Quando minha publicitária me liga, eu já fico, ‘Ai meu Deus, o que aconteceu?’ Mesmo quando não é nada demais. Eu sempre estou esperando ser pega de surpresa de novo.”

Isto é agora um julgamento instantâneo no mundo do instagram, claro. Lawrence tenta regular isso quando ela pode – por exemplo, ela parou de tentar aplacar todo pedido de selfie. “Eu estou feliz de conhecer as pessoas, dar autógrafos, cumprimentar e dizer ‘Obrigada,'” ela diz. “Eu não teria um trabalho se as pessoas não fossem ir assistir meus filmes. É apenas que… se eu estou em um avião e eu não tenho maquiagem, eu não quero tirar uma selfie que irá parar no E!”

A adorada cachorrinha de Lawrence, Pippi, passeia enquanto estamos sentados, o que a deixa nervosa por que a cachorra é menor do que uma torradeira, e aqui no top das colinas, há todos os tipos de predadores que podem apreciar um delicioso sanduíche de Pippi.

“Coiotes, cachorros maiores, cascavéis, corvos,” Lawrence diz. “A cada 20 minutos eu tenho um ataque do coração. Eu vou ser uma ótima mãe.”

Na próxima vez que eu vejo Lawrence, é no Brooklyn, quando ela concorda em me encontrar para mais tranquilidade: especificamente, uma visita para o tanque de privação sensorial de um spa chamado Lift. Aqui está a ideia básica: Você entra em um cômodo (sozinho), tira suas roupas, entra em um um lindo tanque branco que parece um pouco com a primeira geração do Ipod, e fecha a tampa. Você flutua lá sozinho, no escuro, por uma hora, apenas você e seus pensamentos, e se você quiser, uma música relaxante. É bem legal.

Talvez tenha sido no momento errado em fazer isso, por que Lawrence acaba de assistir Mother!.

O que vamos dizer sobre Mother!? O que podemos dizer? Lawrence escolhe suas palavras cuidadosamente, assim como eu irei. Há um código obsessivo de sigilo sobre o filme, o qual eu escolhi honrar. Eu gostaria de poder lhe contar alguns preceitos básicos- o que Mother! fala sobre, como, cavalos marinhos do espaço sideral que invadem a Casa Branca, mas eu não posso. (Ok: Não é sobre cavalos marinhos do espaço sideral que invadem a Casa Branca.)

A primeira pista que o público tem em o que espreita dentro de Mother! foi um lindo, mas sangrento, pôster pintado pelo artista James Jean, no qual Lawrence é representada levantando seu coração sangrento de seu peito aberto. Pera, o que? Isto apenas levantou mais perguntas.
“Os temas são apenas grandes,” Lawrence diz. “Eles são…” ela pausa. “Eu não posso usar a palavra que eu quero, mas o filme é único.”

Eu direi isso: Mother! É um filme perturbador e de várias camadas sem qualidade Lawrence dá um desempenho devastadoramente bonito que se iguala a vulnerabilidade e raiva, ao contrário de tudo que ela já fez antes. O filme me irritou por dias depois que eu o vi, e eu quero – preciso – vê-lo novamente. Eu acho que vai ser o tipo de filme que as pessoas discutem em festas por meses, se não por anos.

Eu também não posso acreditar que levei Lawrence a um tanque de privação sensorial depois que ela assistiu. Esse não é o lugar que você quer estar.

Isso é o que Aronofsky faz, é claro. Um célebre diretor (Pi, Réquiem para um Sonho, Cisne Negro), o nativo do Brooklyn de 48 anos nunca teve medo de desafiar o público. “Eu acho que [Mother!] funciona como um filme de relacionamento verdadeiro e realista. . . mas também funciona em um plano alegórico”, me disse o diretor de fala suave em uma sala de edição da cidade de Nova York no início do verão. No momento, apenas algumas pessoas viram o filme, e Aronofsky é cauteloso em dizer algo revelador. “Diferentes pessoas vão ver o filme de maneiras diferentes, eu sempre sou inspirado em filmes que você lembre e ainda falam alguns dias depois.”

Depois de escrever o roteiro em um intervalo de cinco dias, ele diz: Aronofsky estava emocionado por ter Lawrence no filme, considerando sua agenda agitada e o fato de que Mother! começaria com três meses de ensaios em um armazém do Brooklyn envolvendo o elenco primário, que além de Lawrence e Pfeiffer incluem Javier Bardem e Ed Harris.

“Obter esse tipo de compromisso de um ator é difícil,” diz ele. “Para obtê-lo dos maiores atores do mundo é realmente, muito difícil. Foi um luxo incrível ter tanto tempo.”

Lawrence admite que ela não era uma pessoa de ensaiar antes de fazer Mother!, mas diz que o processo a fez ficar mais “em sintonia” com uma personagem como ela nunca esteve antes. Aronofsky descreve o processo de Lawrence durante o ensaio como quase discreto: “Ela está em um momento muito zen e pacífico” – e diz que ela não desencadeou o arsenal completo de seu desempenho até as câmeras estarem filmando.

“É um talento tão puro e natural que ela tem,” ele continua, com um toque de admiração. “Eu sempre a comparo com Michael Jordan.”

“Ela é uma atriz muito corajosa sem limites e não precisa ser ferida para criar dor,” diz Bardem, acrescentando que Lawrence tem a “força de um touro. . . . Ela está realmente empenhada em ir tão longe quanto necessário.”

“Eu odeio falar sobre atuação porque é muito difícil falar sobre isso sem soar como uma babaca,” Lawrence diz em seu jeito Lawrence de ser. Mas ela diz que houve momentos em Mother! que eram diferentes de qualquer coisa que ela experimentou como atriz. “Eu tive que ir a um lugar mais escuro do que eu jamais estive na minha vida. . . . Eu não sabia se eu poderia sair de lá bem.”

Em um momento durante as filmagens ficou tão intenso, diz Lawrence, que ela hiperventilou e deslocou uma costela. “Eu acabei indo para o oxigênio,” diz ela. “Eu estava com tubos de oxigênio nas minhas narinas, e Darren disse ‘Estava fora de foco; Nós temos que refazer.’ E eu disse ‘Vá se foder’.”

Querendo proteger o bem-estar de Lawrence em meio a essa escuridão, alguns membros da equipe de Mother! montaram uma “barraca Kardashian” para a atriz fora do set, um refúgio onde ela poderia se afastar do trabalho e descomprimir com seus amigos do reality show. “Era uma tenda que tinha fotos das Kardashians e passava Keeping Up With The Kardashians em looping — e chicletes,” diz Lawrence. “Meu lugar feliz.”

(“Eu não estava envolvido nisso,” diz Aronofsky. “Eu estava tipo, ‘Do que você está falando’, as Kardashians?'”)

Não muito tempo depois da Mother! ser anunciado, as histórias começaram a circular que Lawrence e Aronofsky tinham alguma coisa. Lawrence diz que o casal começou a se ver depois do final do filme.

“Nós tínhamos energia”, diz Lawrence, depois acrescenta: “Eu tinha energia para ele. Não sei como ele se sentiu por mim.”

Terminamos nossa hora em tanques de privação sensorial e paramos para uma xícara de café na rua. Lawrence diz que a experiência do tanque foi principalmente positiva até o final, quando ela percebeu que ela girava e não conseguia encontrar a abertura para sair, e teve um breve momento de pânico até que ela localizou e saiu. “Desorientador,” diz ela. “Mas, fora isso, tive um tempo adorável.”

A verdade é que ela não consegue parar de pensar em Mother!. Ela se sentou com Aronofsky e assistiu apenas algumas horas antes. Ela tinha se acostumado com a escuridão, mas foi tomada pela beleza do filme.

“Quando vi o filme, eu relembrei como ele é brilhante,” diz ela sobre Aronofsky. “Durante o ano passado, eu tenho lidado com ele apenas como um ser humano.” Ela elogia Aronofsky como um “pai incrível” (o diretor tem um filho de uma relação anterior com a atriz Rachel Weisz) e por sua extrema disposição. “Eu estive em relacionamentos antes onde eu era bem confusa. Eu nunca estou confusa com ele.”

Lawrence e Aronofsky parecem opostos de certa forma, e há a diferença de idade, mas a parceria parece estar claramente funcionando. “Normalmente, não gosto das pessoas de Harvard, porque elas não conseguem ficar dois minutos sem mencionar que estudaram na Harvard,” diz ela. “Ele não é assim.”

A obsessão de Lawrence com reality shows, no entanto, continua causando um pouco de impasse com Aronofsky.

“Ele acha isso tão decepcionante,” diz ela, e então ri.

Nos últimos anos, Lawrence encontrou-se na frente da crescente discussão sobre a desigualdade salarial de gênero no cinema e no local de trabalho em geral. Seu próprio despertar aconteceu, estranhamente, por causa de um hack: a infiltração dos e-mails da Sony em 2014 revelou que a compensação de Lawrence pelo filme American Hustle tinha sido menor que a de seus costars masculinos. Ao invés de ficar em silêncio, ela escolheu falar publicamente sobre isso, escrevendo um engraçao, mas contundente texto para Lena Dunham e “Lenny Letter”, de Jenni Konner, em que ela lamentava receber “menos. . . do que as pessoas sortudas com pênis,” e criticou a idéia de que as mulheres deveriam ser educadas na negociação, para que não fossem chamados de” difíceis “.

“Eu estou farta de encontrar a maneira ‘adorável’ de expressar minha opinião e ainda ser simpática,” escreveu Lawrence. “Foda-se isso. Eu acho que nunca trabalhei para um homem que passou algum tempo comtemplando o ângulo que deveria usar para sua voz ser ouvida. Ela apenas é ouvida.”

O que fez com que a carta de Lawrence fosse viral não foi apenas a autenticidade (era, palavra por palavra, apenas Lawrence), mas que a crítica era de alguém em uma posição presumivelmente de poder: Lawrence tem sido uma das atrizes mais bem sucedidas e mais bem pagas por anos. Em 2015 e 2016, a Forbes a colocou no topo da lista de atores mais bem pagos, graças em grande parte a Jogos Voarzes e X-Men. Se ela ainda fosse vulnerável para tiraraem proveito, qual atriz não seria?

“A minha coisa de falar sobre igualdade de remuneração não é – eu me uso como um exemplo, mas não é sobre isso que eu estou falando, obviamente,” diz Lawrence. “Eu não estou falando sobre as atrizes recebendo milhões a menos do que os seus co-stars masculinos.” Em vez disso, ela diz que viu o momento como uma oportunidade para abordar uma diferença salarial entre homens e mulheres que existe em quase qualquer ambiente de trabalho. Se os críticos gritassem: “Cale-se e atue!”, então que seja.

“A minha opinião é: você pode ter milhões de dólares e uma carreira dos sonhos, mas se você não está disposto a defender o que você acredita, ou se você vir algo errado e não falar sobre isso, então você não tem nada,” Lawrence diz.

“É o oposto de” Cale-se e atue! “Se você tem uma voz, use-a. Eu não quero ir para o túmulo apenas sendo tipo, ‘Bem, eu apresentei o mundo aos filmes de Jogos Vorazes e eu comprei uma casa em Coldwater! Boa noite!’ Para mim, vale a pena a crítica. Quanto mais críticas eu recebo, mais a conversa flui.”

Enquanto isso, em meio a esses tempos políticos rancorosos, Lawrence tornou-se um membro do conselho de uma organização chamada Represent.Us, que procura passar leis anticorrupção no governo local, estadual e nacional. Há vozes conservadoras e liberais na organização, que Lawrence gosta. “Se você é republicano, se você é liberal, não importa,” diz ela. O objetivo é “tirar dinheiro e corrupção da política” e “libertar nossa democracia.”

Lawrence não é fã da atual administração de Trump, mas “precisa ser uma ponte,” diz ela. “Não podemos continuar essa divisão e raiva. Há problemas que nos afetam como seres humanos, não como liberais e não como republicanos. Temos de proteger as bases deste país e a aceitação. Se você está pregando a aceitação, aceite imigrantes, aceite os muçulmanos e aceite todos.”

Em seguida, Lawrence estava pronta para começar a filmar outro X-Men, a sua quarta participação no gigante da Marvel (Ela brinca sobre o que é estar em um filme com efeitos especiais. “Quando faço um filme X-Men, não tenho Idéia do que está acontecendo,” ela confessa. “Então eu assisto e fico tipo ‘Uau! Legal!'”). Ela fez uma viagem de verão a Paris para os desfiles de alta costura e uma sessão de fotos como um rosto de Dior, uma parceria que ela ama, mas um ambiente que ainda é surreal para ela. Ela está entusiasmada com a entrega da ex-chefe de Valentino, Maria Grazia Chiuri, como diretora artística da Dior. “O novo material foi realmente incrível, legal e jovem,” diz ela. “É incrível.” (Houve também um episódio em junho, quando um avião em que Lawrence estava voando sofreu uma falha dupla no motor e foi forçado a fazer um pouso de emergência – ninguém se feriu, mas o incidente é compreensivelmente assustador.)

Depois de X-Men, Lawrence provavelmente passará para um dos poucos projetos impressionantes. Entre os filmes com os quais ela está vinculada, há um filme de Steven Spielberg sobre a fotógrafa de guerra, Lynsey Addario, a quem Lawrence já passou o tempo convivendo, e um sobre Zelda Fitzgerald dirigido por Ron Howard. Há também o projeto de Adam McKay sobre o escândalo da Silicon Valley, Theranos, desmascarado pelo repórter do Wall Street Journal, John Carreyrou (Lawrence está escalada para interpretar a fundadora da Theranos, Elizabeth Holmes). E ela foi recentemente vista tendo uma reunião de almoço com Quentin Tarantino, que está supostamente trabalhando em um roteiro sobre os assassinatos da família Manson .

Ah, e há o projeto ainda sem título de Jennifer Lawrence com a Amy Schumer. A Internet enlouqueceu alguns anos atrás, quando Lawrence se tornou amiga de Schumer depois de asistir Trainwreck, e as duas foram fotografadas andando em um Jet Ski juntas e disseram estar colaborando em um roteiro.

“Nós estamos nos encontrando com diretores,” disse Lawrence. Ela escreve o enredo como “gêmeas desfuncionais. Mas é triste. E aí engraçado.”

“Ela é a pessoa mais engraçada que eu já conheci,” Lawrence disse sobre Schumer. “Ela também é essa atriz incrível de drama, a qual eu quero trazer a tona.”

“Jen é engraçada como um quadrinho,” escreve Schumer em um e-mail. “Ela entende o ritmo de uma piada e como interpretar um homem heterossexual é um idiota. Ela tem um dos sensos de humor mais sombrios que já conheci, e é delicioso. Meu único problema com ela é que ela está gorda.”

Para Hollywood, uma projeto cômico de Lawrence e Schumer seria uma combinação dos sonhos— e uma lembrança de que, por tudo o que Jennifer Lawrence realizou até agora, tão rapidamente, ainda existem muitos lugares para onde ela pode ir. Lawrence diz que, depois da próxima onda de filmes, ela precisará de um tempo (“O público americano – o público internacional – precisará de uma pausa de mim… até mesmo os alienígenas estão irritados,”) mas é óbvio que ela adora o que ela faz. Beber um bourbon perto da lareira é bom, mas vamos ser realistas. Você pode ficar quieto por um tempo.

Tradução e Adaptação: Carol e Isabella – Equipe Jennifer Lawrence Brasil

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